
Rio São Francisco na divisa de Minas Gerais e Bahia – Foto: Tiago Marques | Agência Sertão
O Rio São Francisco, um dos principais mananciais do Brasil, sofreu uma redução de 50% na sua vazão mínima de segurança entre os anos de 1985 e 2022, especialmente no trecho que atravessa Minas Gerais. A vazão caiu de 823 m³/s para 414 m³/s, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA) e do projeto Cerrado – O Elo Sagrado das Águas do Brasil.
O estudo aponta que o Cerrado, conhecido como “berço das águas”, perdeu 27% da sua vazão nas seis principais bacias hidrográficas. A vegetação nativa foi reduzida em 22%, enquanto a área de soja cresceu quase 20 vezes. A chuva caiu 28% na bacia do São Francisco, e a evapotranspiração aumentou 11%.

Segundo o geógrafo Yuri Salmona, 56% da perda de água se deve ao desmatamento e mudanças no uso do solo, e 44% às mudanças climáticas. A degradação do Cerrado compromete a recarga dos aquíferos e a infiltração da água, afetando diretamente a vazão dos rios.

Além disso, a poluição por agrotóxicos, esgoto e mineração agrava a situação. O Rio das Velhas, afluente do São Francisco, é o mais poluído da bacia, com mais de 50% das amostras fora dos padrões entre 2019 e 2024.

O estudo recomenda ações urgentes, como a criação de áreas prioritárias para conservação, legislação específica para o Cerrado, recuperação de nascentes e monitoramento contínuo dos recursos hídricos.
Fonte: Agência Sertão



