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O município de Caetité vive um momento histórico com a realização da I Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, coordenada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi), em parceria com a Prefeitura Municipal e o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Para a gestora municipal da área, Roberta Dias, este é um marco simbólico e político de grande relevância — sobretudo por acontecer 137 anos após a abolição formal da escravatura no Brasil, em um território que abriga 14 comunidades remanescentes de quilombo reconhecidas.

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Mais do que um evento institucional, a conferência que ocorre dias 10 e 11 de Julho representa a escuta e o acolhimento de vozes historicamente silenciadas. “Falar de igualdade racial em Caetité é reconhecer o passado, mas também projetar um futuro de reparação, justiça e dignidade para as populações negras, em especial as comunidades quilombolas. A quilombagem é, antes de tudo, uma forma de resistência permanente ao racismo estrutural que herdamos da escravidão“, afirmou a gestora.

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A conferência se insere nas etapas municipais da IV CONEPIR — Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial, evento de grande importância na Bahia, voltado à discussão e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas à igualdade racial e ao desenvolvimento dos povos e comunidades tradicionais. A etapa estadual acontecerá em Salvador, de 20 a 22 de agosto, e reunirá cerca de 800 representantes dos 27 territórios de identidade da Bahia.

A preparação para essa etapa envolve conferências municipais e territoriais, espaços onde são construídas as propostas que serão levadas à conferência estadual e, posteriormente, à etapa nacional: a V CONAPIR — Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, a ser realizada em Brasília.
A CONAPIR, promovida pelo Ministério da Igualdade Racial, sob a liderança da ministra Anielle Franco, representa uma das principais iniciativas nacionais de mobilização antirracista. Sua realização tem impacto social e político de grande relevância em todo o território brasileiro, especialmente após um período de retrocesso institucional, no qual as mobilizações pela pauta da igualdade racial foram cerceadas durante os governos Temer e Bolsonaro.
Para a gestora Roberta Dias, o espaço da conferência será fundamental para a construção coletiva das políticas públicas, com base nas vivências e demandas reais das comunidades negras e tradicionais.
O evento também celebra a recente adesão da Prefeitura de Caetité ao Fórum de Gestores Municipais de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, um passo essencial para a articulação de políticas públicas mais eficientes, em diálogo com o Estado e com outros municípios comprometidos com a agenda antirracista.
“Essa adesão é uma sinalização concreta de que Caetité está se somando ao esforço estadual e nacional de fortalecer as estruturas públicas de enfrentamento ao racismo. As comunidades quilombolas do município — como Contendas, Lagoa do Mato, Vargem do Sal e Pau-Ferro do Juazeiro, entre outras — são territórios vivos de memória, cultura e luta. Ouvir esses territórios é fundamental para pensar qualquer política pública séria de igualdade racial“, enfatizou a gestora.
Com um olhar atento à ancestralidade e à construção de um novo ciclo de cidadania plena, a I Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Caetité reafirma o compromisso da gestão pública com a equidade, o reconhecimento e a valorização das identidades negras que moldaram — e continuam moldando — a história do município.




