O Brasil pode se tornar uma potência no setor de urânio. A afirmação foi dada pelo diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), Marcio Remédio, durante o Nuclear Trade & Technology Exchange (NT2E), evento coordenado pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN). “O fato de contar com poucas áreas mapeadas e um vazio de informações faz com que o país seja praticamente inexplorado para o setor de Urânio”, avaliou Remédio, dizendo ainda que o mercado mundial tem crescido cada vez mais e as empresas e países estão à procura de novas matrizes energéticas alternativas, o que coloca a temática como de suma importância para o Brasil.
Depois de 5 anos, país retomou, em dezembro de 2020, a produção de urânio, que é utilizado no Brasil para a produção de energia, dentro de usinas nucleares, e para a propulsão nuclear de submarinos. A retomada simbólica ocorreu em cerimônia na Unidade de Concentração de Urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), no município de Caetité (BA). Durante o evento, foi feita uma detonação, simbolizando o início da lavra a céu aberto na Mina do Engenho. Segundo o Ministério de Minas e Energia, numa primeira etapa, a nova unidade tem capacidade para produzir 260 toneladas de concentrado de urânio por ano. Mas a expectativa é que, até 2025, esteja produzindo 1.400 toneladas de concentrado de urânio; e, até 2030, 2.400 toneladas anualmente, pois existe o planejamento de entrada de outra mina em operação, em Santa Quitéria, no Ceará. “Essa retomada é a primeira fase para consolidar a nossa proposta de tornar o Brasil autossuficiente e um exportador de urânio”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque na ocasião.
O diretor de geologia do SGB-CPRM, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, apresentou o Programa Urânio do Brasil. Nos próximos 10 anos, o programa tem o objetivo de buscar novos investimentos para explorar regiões em busca de grandes depósitos. O programa foi desenvolvido pela Divisão de Geologia Econômica, liderada pelo pesquisador Felipe Mattos Tavares, por meio do uso de técnicas de modelamento de potencial mineral em escala continental e uso de machine learning. “O programa tende a fazer uma avaliação do potencial de exploração do mineral, delimitar as principais áreas da exploração e estimular a mesma com dados assertivos e reduzindo riscos da exploração”, concluiu Remédio.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a produção do urânio no país começou em 1982, com a produção e extração em uma mina em Poços de Caldas, em Minas Gerais. Durou 13 anos, da ordem de 1.200 toneladas, e abasteceu a Usina de Angra 1. A produção foi interrompida porque exauriu a reserva do metal. Ela foi retomada, em 2000, em Caetité, na Bahia. Em 2015, foi novamente paralisada, também porque a reserva se exauriu.

O diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil, Marcio Remédio, durante o Nuclear Trade & Technology Exchange. (Foto: Divulgação)
Por Sertão Hoje / (Foto: Divulgação / INB)



