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O Coletivo Feminista Marias deu início à sua mobilização anual pelos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas, iniciativa que a organização promove na região desde 2020. Em 2025, a campanha ganha um contorno ainda mais atual: o combate à violência digital, tema alinhado ao esforço global da ONU para enfrentar agressões que migram, cada vez mais, para o ambiente virtual.

Para fortalecer a mobilização, o Coletivo Feminista Marias articulou uma rede ampla de parceiros. Entre eles, destacam-se a 94ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), grupos de capoeira, como o Ginga Bahia e o Nossa Cultura, psicólogas voluntárias,a  Associação de moradores do Condomínio Esmeralda, a Coopercicle – Cooperativa de Trabalho de Coleta Seletiva dos Catadores de Caetité, além do apoio acadêmico do Vivas – Grupo de Pesquisa em Estudos Feministas, Gênero e Diversidade (UESB) e do grupo História das Mulheres, Gênero e Literaturas (UNEB), o Ilê Asé UNZO DE NKISE OYÁ ABA IFÉ e da Prefeitura Municipal de Caetité através da Secretaria de Desenvolvimento Social, entre outros apoiadores e apoiadoras.

Educação e Prevenção: As Duas Frentes da Campanha

Para os 16 Dias de Ativismo , que seguem até 10 de dezembro , o Coletivo estrutura suas ações em dois eixos principais:

  1. Mobilização Digital:
    Campanhas educativas nas redes sociais, com foco no combate ao assédio virtual, cyberstalking e ao vazamento de imagens íntimas.
  2. Ação Presencial e Itinerante:
    Rodas de conversa, oficinas e formações voltadas para prevenção e enfrentamento à violência de gênero, levadas diretamente a comunidades, escolas e grupos parceiros como Educação Preventiva.

Segundo Roberta Dias, articuladora do movimento, a meta é clara:

“A ação visa desnaturalizar a violência em suas diversas formas e munir mulheres e meninas de ferramentas para reconhecerem, prevenirem e denunciarem o abuso, sobretudo no ambiente digital, que se tornou um novo e potente palco para a agressão.”

Violência Digital e a Lei Maria da Penha

A campanha reforça que a violência digital não é algo desconectado das formas de agressão já definidas na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06). Pelo contrário, ela se manifesta por meio das cinco categorias previstas em lei.

Tipo de Violência Exemplos no Ambiente Digital
Psicológica Humilhações online, gaslighting por mensagens, isolamento e manipulação via redes sociais.
Moral Calúnia, difamação, injúria, slut-shaming, doxing.
Sexual Vazamento de imagens íntimas sem consentimento, coerção para exposição em webcam.

Entre seus principais desdobramentos estão o assédio, a perseguição (cyberstalking) e o uso de tecnologias para monitorar e controlar mulheres, provocando danos profundos e duradouros.

 Cenário Baiano Reforça a Urgência do Tema

Os números recentes no estado evidenciam a necessidade de ações firmes como as do Coletivo Marias:

  • 111 feminicídios registrados na Bahia em 2024.
    Desde 2017, uma mulher é assassinada por violência de gênero a cada três dias no estado.
  • Aumento de 42% no Ligue 180 em 2024, totalizando 63.330 atendimentos — sinal de que mais mulheres estão buscando ajuda.
  • Violência psicológica é a mais recorrente, atingindo 91% das baianas vítimas de agressões domésticas (Pesquisa Senado Federal, 2024).

 B.O.: O Passaporte da Proteção

O Coletivo reforça que, diante de qualquer agressão : física, moral, psicológica, sexual, patrimonial ou digital – o Boletim de Ocorrência é a ferramenta legal essencial.

O B.O.:

  • transforma o relato da vítima em um registro oficial;
  • permite solicitar Medidas Protetivas de Urgência;
  • garante a coleta e preservação de provas em casos de violência digital;
  • auxilia na formulação de políticas públicas e no direcionamento de recursos de proteção.

Compromisso com um Ambiente Seguro

Com o lançamento oficial da campanha, o Coletivo Feminista Marias reafirma seu papel de articulação, acolhimento e formação em Caetité e no Alto Sertão da Bahia. O objetivo é claro: garantir que mulheres e meninas possam viver e navegar em segurança, online e offline.

Para denúncias:

  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
  • Procure a Delegacia Territorial ou a Delegacia Especializada mais próxima

O enfrentamento à violência é coletivo, e começa pelo direito de existir, falar e estar no mundo sem medo. Acompanhe todas as atividades previstas no instagram do @coletivofeministamarias, participe!

Fonte: SiteVouvê Notícias

 

 

 

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