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As redes sociais consolidaram-se, no cenário político contemporâneo, como arenas privilegiadas de disputa simbólica e de formação de opinião. O poder comunicativo é elemento estruturante das sociedades em rede, sendo capaz de moldar comportamentos coletivos e influenciar processos políticos. Pequenas interações digitais podem desencadear ondas de ação coletiva de larga escala.
Hegemonia digital de Tarcísio de Freitas
Estudo do Lab Caos (veja completo aqui) revela uma assimetria significativa entre os candidatos analisados. O governador Tarcísio de Freitas apresenta taxas de engajamento muito superiores às de seus pares:
- Taxa de interações quase dez vezes maior em relação aos demais.
- Número de comentários cinco vezes superior por publicação.
- Base de seguidores mais ampla do que a soma dos outros presidenciáveis da direita.

Esses dados não refletem apenas visibilidade quantitativa, mas a formação de uma comunidade discursiva, conceito de Zizi Papacharissi (2015), em que a audiência participa ativamente da conversação política. O fenômeno reforça o efeito de retroalimentação algorítmica, consolidando o protagonismo digital de Tarcísio.

Zema, Caiado e Ratinho Jr.: relevância regional
Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. mantêm relevância em seus estados, mas apresentam desempenhos digitais restritos nacionalmente. Seus melhores conteúdos ganham destaque pontual, mas não formam uma narrativa consistente em escala nacional. Segundo Pierre Bourdieu (1989), o capital político é relacional e depende da conversão em diferentes arenas. O capital regional desses governadores não se traduziu em capital digital amplo.

Implicações políticas e teóricas
A disparidade observada sugere uma centralização em torno de Tarcísio como figura capaz de aglutinar setores da direita, especialmente após o enfraquecimento jurídico e eleitoral de Jair Bolsonaro. Paolo Gerbaudo (2018) destaca que movimentos políticos na era digital se reorganizam pela interação constante com suas bases online. O domínio de Tarcísio nas redes sociais não é apenas reflexo de popularidade offline, mas um recurso de poder capaz de reconfigurar hierarquias políticas.

A análise evidencia que a disputa presidencial de 2026 não se limitará às arenas tradicionais, como alianças partidárias e tempo de televisão. Castells (2009) observa que o poder político depende cada vez mais do controle de fluxos de comunicação em rede. No Brasil, o desempenho digital de Tarcísio posiciona-o como ator central na reorganização da direita.
Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em marketing eleitoral



